Mato Grosso do Sul tem serviço de endoscopia reconhecido por padrão internacional


Você viajaria em um avião que não recebeu a devida manutenção? Ou sabendo que o piloto não checou todos os itens de bordo? Provavelmente não. Por isso uma aeronave nunca sai do chão sem um extenso protocolo a ser cumprido, de modo a evitar qualquer falha técnica que possa comprometer a vida e segurança dos passageiros e tripulação. Mas quando o assunto envolve instituições de saúde, que também cuidam de vidas, será que existe o mesmo cuidado?

Em teoria, serviços de saúde pública também devem seguir protocolos e práticas obrigatórias previstas pelo Ministério da Saúde, por exemplo, para evitar que um paciente receba medicamento trocado; utilize um equipamento descalibrado ou até para que consiga sair do local de internação em caso de incêndio. Para garantir tudo isso existe um selo ou certificado, chamado de Acreditação em Saúde, expedido por organizações especializadas na metodologia e cumprimento de normas técnicas capazes de prevenir e reduzir riscos ao paciente.

A má notícia é que pouquíssimos hospitais, laboratórios e clínicas – apenas 14 em Mato Grosso do Sul – têm a qualidade dos serviços atestada para garantir tal segurança. Uma delas é a Scope, primeira clínica em Campo Grande a receber certificação para os serviços de Endoscopia. Também são certificados um hospital em Campo Grande, outro em Três Lagoas e um laboratório em Corumbá – todos da iniciativa privada. Diferente de estados como Goiás, Pará e Rio Grande do Sul, nenhuma instituição pública de saúde é Acreditada em Mato Grosso do Sul.

“A qualidade na área da Saúde é complexa, balizada por um conjunto de normas que vão além da equipe bem treinada e o melhor equipamento. Esse título nos orgulha pois certifica e garante a qualidade em todos os níveis, resultando na melhor experiência ao nosso paciente”, aponta o diretor do Centro Avançado de Endoscopia da Scope, Dr Marcelo Cury. Ele sabe que Acreditação evita retrabalho, desperdício; melhora o desempenho e até as condições de negociação da clínica com planos e convênios médicos, aumentando a lucratividade.

Como funciona - No processo de acreditação, que chega a oito meses, uma equipe avalia desde a gestão administrativa e financeira; até suprimentos, equipamentos e recursos humanos, passando pela parte Assistencial (UTI, Pronto-Socorro, Farmácia e Nutrição) e Laboratorial. Também são avaliados e qualificados os fornecedores, além de toda infraestrutura do local, cuja certificação prevê desde elevador acessível e até um sistema de proteção de descarga elétrica.

Para que uma instituição seja reconhecida são instaurados ainda protocolos de cirurgia segura que garantem, por exemplo, que o médico não opere o órgão ou mesmo o paciente errado. Já os protocolos de segurança medicamentosa asseguram que todo medicamento seja tomado na hora e dosagem certas e prevê até serviço de remoção contratado. Também existem padrões de higienização que abrangem de equipamentos à lavanderia.

“Quando uma reação adversa ocorre, as pessoas não sabem muito bem o que fazer. Mas com ações pré-definidas é possível ter controle para evitar e lidar com as adversidades de forma ágil e assertiva”, explica a avaliadora Carolina Weber, da Acredita Saúde. A certificação também evita que um erro se repita, pois tudo é investigado e relatado para o estabelecimentos de novos padrões preventivos a serem seguidos por todos. “Por isso é tão importante o envolvimento dos funcionários, pois acontece uma mudança na cultura organizacional da empresa”, finalizou ela.

De onde vem e como estamos – O termo Acreditação vem de “dar crédito” a uma instituição que apresenta um sistema de gestão da qualidade eficiente. Em todo o Brasil o número de empresas acreditadas está na ordem de 5%, em universo que abrange mais de seis mil hospitais, conforme dados da Organização Nacional de Acreditação (ONA), que atua na certificação de clínicas, laboratórios, hospitais e até banco de sangue. Neste processo, a metodologia desenvolvida pela ONA é reconhecida internacionalmente pela ISQua (Tha International Society for Quality in Health Care), com sede em Dublin, na Irlanda.



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