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2017: O ANO EM FOCO – Médicos Sem Fronteiras

Novidades | 18.out.2018



 

2017: O ANO EM FOCO

Por Raquel Ayora, Dra. Isabelle Defourny, Christine Jamet, Dr. Bart Janssens, Marcel Langenbach e Bertrand Perrochet, Diretores de Operações.

Em 2017, a violência contra civis aumentou em Mianmar, na República Democrática do Congo (RDC), no Sudão do Sul, na República Centro-Africana (RCA) e no Iraque. Síria, Nigéria e Iêmen mantiveram os mesmos níveis de violência. Tratando os feridos e respondendo às necessidades básicas de saúde, desnutrição e surtos de doenças infecciosas, Médicos Sem Fronteiras (MSF) ofereceu cuidados que salvaram as vidas de milhares daqueles que foram atingidos pelo conflito quando os sistemas de saúde entraram em colapso e as condições de vida se deterioraram. Onde não conseguimos garantir acesso direto aos que foram sitiados pela violência, em lugares como Mianmar e Síria, concentramos nossa assistência naqueles que conseguiram escapar.

Ataques de escala sem precedentes dirigidos pelos militares de Mianmar em agosto de 2017 levaram 660 mil ou mais rohingyas para o vizinho Bangladesh, onde respondemos com aumento de nossas atividades. Pesquisas sobre mortalidade realizadas por MSF revelaram a extrema violência infligida: pelo menos 6.700 rohingyas foram mortos no intervalo de um mês.

Em janeiro, um ataque aéreo atingiu um campo de deslocados em Rann, na Nigéria, onde MSF mantinha uma unidade de saúde. Pelo menos 90 pessoas foram mortas, incluindo três profissionais de MSF. Não houve diminuição na guerra do Iêmen em 2017 ou no consequente número de ferimentos de trauma. Doenças evitáveis, como cólera e difteria, também ressurgiram à medida que o país enfrentava um colapso total de seus sistemas médico, sanitário e econômico. A situação na Somália, devastada pela guerra, também permanece extrema. Apesar das contínuas preocupações de segurança, retornamos ao país em 2017, abrindo um programa de nutrição na região de Puntland.

Tanto em Raqqa, na Síria, quanto em Mossul, no Iraque, bombas caíram sobre civis sitiados enquanto as forças da coalizão lutavam pela retomada da área sob controle do grupo Estado Islâmico. As frentes de batalha atravessaram áreas densamente povoadas no oeste de Mossul, sitiando as pessoas, às vezes por meses a fio. Com muitas organizações, incluindo MSF, focadas nos primeiros estágios do atendimento ao trauma, faltava uma rede funcional de transporte de medicamentos, assim como acesso rápido às instalações de referência para cirurgias definitivas. Nossas equipes viram menos feridos na batalha por Raqqa, na Síria. Isso levantou questões sobre o que aconteceu em uma área de guerra urbana e de bombardeio, e se as pessoas estavam acessando algum cuidado ou simplesmente morrendo. Até hoje não sabemos.

Conflito e violência afetaram milhões de pessoas no Sudão do Sul, onde as instalações e os profissionais médicos não foram poupados. A RDC foi destruída pela violência, especialmente na região de Kasai, onde 1,5 milhão de pessoas foram deslocadas. Nossas equipes puderam agir apenas quando o combate diminuiu. Na RCA, ressurgiu o conflito em escala total. Várias cidades se esvaziaram à medida que as pessoas fugiam aterrorizadas, buscando refúgio em igrejas, mesquitas e até em hospitais de MSF, ou sobrevivendo de forma improvisada na mata. Enquanto isso, na Europa, os governos fecharam acordos com a Líbia para impedir que migrantes e refugiados chegassem à costa europeia, plenamente conscientes da tortura, do aprisionamento e da extorsão a que as pessoas estariam expostas.

Pessoas ainda morrem de doenças infecciosas que deveriam ser apenas um capítulo da História. Em 2017, MSF apoiou a resposta das autoridades de Madagascar a um surto de peste pneumônica, que tirou 200 vidas. Surtos maciços de cólera devastaram o Iêmen e a África Oriental. A RDC sofreu o surto de cólera mais significativo em 20 anos, afetando 55 mil pessoas e causando 1.190 mortes em 24 das 26 províncias do país. O sarampo também devastou as comunidades do leste da RDC. Em apenas oito meses, MSF tratou quase 14 mil casos e vacinou mais de 1 milhão de crianças.

MSF continua sendo a maior provedora não governamental de tratamento de tuberculose (TB) no mundo. Em 2017, defendemos a ampliação do uso dos novos medicamentos bedaquilina e delamanida por meio da Campanha de Acesso a Medicamentos e persuadimos os governos e as partes interessadas a ampliar o tratamento dos pacientes por meio da campanha #StepUpforTB (#TodosContraTB).

Somos extremamente gratos a nossos doadores, que tornam nosso trabalho possível, e a todos os dedicados profissionais de campo de MSF, que doam seu tempo e capacidades na ajuda ao próximo, abnegando, muitas vezes, de sua própria segurança.

Fonte: Relatório Anual Médico Sem Fronteiras. 2017: O Ano em Foco.

Relatório Anual Médicos Sem Fronteiras - 2017: O ano em foco.





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