Hepatite alcoólica


Hepatite alcoólica

O que é ?

É a lesão hepática provocada por consumo de bebida alcoólica, geralmente por um período prolongado de tempo.

Causas

A quantidade e a duração da ingesta alcoólica determinam a possibilidade de uma lesão hepática e a sua gravidade. Além disso, mulheres, indivíduos com composição genética mais suscetível ao álcool, pessoas com outras doenças hepáticas e desnutridos também têm maior chance de desenvolver doença hepática.

Vale ressaltar que além de causador de doença hepática, o álcool contribui para diversas patologias, como doenças do pâncreas, do coração?? e ainda a um risco aumentado de câncer do tubo digestivo, assim como a atrofia cerebral. O abuso de álcool está também fortemente relacionado com os acidentes rodoviários e com a violência doméstica.

Incidência

No mundo, cerca de 10 a 12% das pessoas consome álcool de forma abusiva. Esse abuso acomete duas vezes mais os homens do que as mulheres. Não temos estatísticas precisas no Brasil, mas seguramente o problema tem magnitude semelhante ou maior, com alguns estudos demonstrando consumo abusivo de álcool na população brasileira de até 13%.

Sintomas

A maior parte do álcool ingerido, após ser absorvido pelo trato digestivo, é processada (metabolizado) pelo fígado. À medida que o álcool é processado, as substâncias que podem lesionar o fígado são produzidas. O abuso de álcool pode provocar três tipos de lesão hepática:

- Acúmulo de gordura (fígado gorduroso ou esteatose hepática): é a consequência inicial e mais comum do consumo alcoólico exagerado. É potencialmente reversível. Ocorre em mais de 90% das pessoas que bebem muito álcool;

- Inflamação (hepatite alcoólica): o fígado se torna inflamado em cerca de 10% a 35% das pessoas que ingerem uma grande quantidade de álcool em um curto período de tempo;

- Cirrose: cerca de 10% a 20% das pessoas desenvolvem cirrose (fibrose ou cicatriz do fígado com prejuízo da sua função) quando ingerem álcool em quantidade abusiva por tempo prolongado. 

Nas bebidas alcoólicas a concentração de álcool é frequentemente descrita em graus. Os graus são cerca de duas vezes a porcentagem de álcool. Diferentes tipos de bebidas contêm diferentes porcentagens de álcool:

•          Cervejas: entre 2% a 7%

•          Vinhos: entre 10% a 15%,

•          Destilados e aguardentes: entre 40% a 45% .

Considera-se potencialmente danoso ingesta acima de 40g/dia de álcool para homens e 20g/dia para mulheres.

Normalmente, a esteatose hepática não provoca sintomas.

Já a hepatite aguda alcoólica pode se apresentar como um quadro de hepatite com mal-estar geral, náuseas, vômitos, icterícia (amarelado na pele e mucosas), escurecimento da urina (colúria) e clareamento das fezes (acolia fecal).  Esse quadro pode se agravar bastante com necessidade de tratamento específico, maior risco de infecções e até morte.

À medida que a doença hepática alcoólica evolui para cirrose, várias outras manifestações podem estar presentes, algumas delas bastantes características como a desnutrição, a ascite (acúmulo de água no abdome), vômitos com sangue, anemia, ginecomastia (aumento do volume mamário) e quadros de confusão mental. O câncer hepático ocorre em 10% a 15% das pessoas com cirrose instalada.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito pela associação da ingesta crônica de álcool, exame físico detalhado, exames de sangue que avaliem a função do fígado e exclusão de outras doenças hepáticas, além de exames de imagem como ultrassonografia, tomografia ou ressonância do abdome. O álcool é sempre suspeito como causador de doença hepática em qualquer paciente com consumo excessivo e crônico de álcool. Muitas vezes uma biópsia do fígado (retirada de fragmento para análise) é requerida para fechar o diagnóstico de cirrose e determinar a causa. A avaliação também pode ser feita de forma não invasiva através da elastografia hepática, por exemplo.

Tratamento

A abstinência é geralmente o melhor tratamento. Diversas estratégias podem ser usadas para ajudar a motivar o paciente a mudar o comportamento, como terapia comportamental e a psicoterapia, grupos de apoio e autoajuda (como Alcoólicos Anônimos) e sessões de aconselhamento.  Alguns medicamentos ajudam a reduzir os sintomas de abstinência e a vontade de consumir álcool. Uma dieta nutritiva e suplementos vitamínicos (especialmente as vitaminas B) são importantes durante os primeiros dias de abstinência. Elas ajudam a corrigir as deficiências nutricionais que causam complicações, como fraqueza, tremores, dificuldade para andar e anemia.

Os casos mais graves de hepatite aguda alcoólica e cirrose, muitas vezes necessitam de internação, uso de corticoides e em último caso de transplante de fígado, desde que o paciente tenha cessado com a ingesta de álcool.

Fonte: Hospital Israelita A. Einstein

Observação: as informações exibidas descrevem o que geralmente acontece com uma condição clínica, mas não se aplicam a todas as pessoas. Essas informações não são uma consulta médica. Portanto, entre em contato com um profissional da área de saúde se você apresentar um problema médico. Se você acredita ter uma emergência médica, ligue para seu médico ou para um número de emergência imediatamente.



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